
Quando o Cypress Hill retorna após seis longos anos, não apresenta uma sequência lógica de Till Death Do Us Part, mas sim um álbum completamente diferente. Lançado em 16 de abril de 2010 sob a tutela da Capitol Records e Priority Records, este oitavo álbum de estúdio marca uma mudança radical: pela primeira vez desde o seu início, o grupo não está mais vinculado à Columbia. O álbum conta com dezesseis faixas, com um pouco mais de uma hora de duração, e se inicia com It Ain't Nothin' antes de se encerrar com Rise Like Smoke. No entanto, o objetivo vai além do simples retorno: agora é B-Real quem assume a produção principal, sendo o executivo e supervisor do projeto, enquanto DJ Muggs assina apenas uma co-produção em duas faixas, juntamente com DJ Khalil.
De 2005 a 2010: um processo de criação limitado pelos prazos.
A origem de Rise Up revela ser uma história de espera e reorientação. O grupo começou a escrever as músicas em 2005, mas o trabalho no estúdio só realmente começou em 2008. Quatro anos se passaram entre o primeiro rascunho e a conclusão da gravação em 2009. Essa longa gestação explica os adiamentos sucessivos do álbum, desde uma data inicialmente prevista para 2006 até um lançamento final fixado para a primavera de 2010. Se Till Death Do Us Part (2004) representava um auge antes da mudança de gravadora, este novo álbum busca ser mais agressivo e dinâmico, com a intenção explícita de traduzir a energia dos shows ao vivo.
It Ain't Nothin' e Rise Like Smoke: os pontos altos de uma hora de som.
A abertura do disco é confiada a Demrick em It Ain't Nothin', uma faixa que estabelece o tom de um retorno às raízes, ao mesmo tempo em que valida a nova direção artística adotada pelo grupo. A faixa de encerramento, Rise Like Smoke, oferece uma conclusão serena após uma hora de intensidade variada. Entre esses dois pontos, o álbum não busca impor uma uniformidade estrita: ele prefere explorar os contrastes entre faixas rápidas e composições mais atmosféricas.
B-Real na produção: uma mudança radical após seis anos de ausência.
O cerne do projeto reside no fato de que B-Real assume a direção artística completa. Isso representa uma ruptura clara com a tradição do grupo, onde DJ Muggs era o arquiteto sonoro imutável. Essa delegação produz resultados heterogêneos: algumas faixas se destacam pela sua coerência rítmica, enquanto outras sofrem de dissonâncias entre o flow do rap e as melodias impostas pelos produtores externos. O álbum não se apresenta como um disco perfeitamente homogêneo, mas sim como uma compilação de visões sonoras que, por vezes, dialogam de forma conflituosa.
Tom Morello, Mike Shinoda e Daron Malakian: o rock como elemento central.
A dimensão alternativa do projeto se confirma pelas colaborações com artistas de rock que permeiam o álbum. Mike Shinoda, vocalista do Linkin Park, participa em Carry Me Away, introduzindo um toque alternativo que vai além dos códigos do hip-hop tradicional. Daron Malakian, guitarrista do System of a Down, colabora em Trouble Seeker para reforçar ainda mais o aspecto metal do projeto. Essas três colaborações não são meras participações: elas constituem o fio condutor que define a sonoridade deste disco.
"Pass The Dutch" com The Alchemist: a conexão com a cena underground.
Além das colaborações com artistas de rock, o álbum se enriquece com uma variedade de contribuições de produtores que iluminam sua estrutura interna. Sick Jacken, por exemplo, assina a produção de K.U.S.H. com B-Real, inserindo a faixa em uma veia experimental próxima do rap experimental. Essas múltiplas intervenções explicam a heterogeneidade percebida pelos críticos: cada faixa carrega a marca de uma visão artística distinta, transformando o álbum em uma colagem de estilos, em vez de um bloco monolítico. No Metacritic, ele recebe uma pontuação média de 56/100, refletindo opiniões divididas entre aqueles que veem uma evolução necessária e aqueles que lamentam a perda do som cru de DJ Muggs. Alguns críticos até apontaram o cansaço vocal de Sen Dog, que não aparece em todas as faixas, ou o caráter por vezes excessivamente "easy listening" de um álbum que deveria permanecer sombrio. No entanto, ele continua sendo um elo importante entre Till Death Do Us Part e Back in Black, marcando uma etapa crucial na carreira do grupo antes de seu retorno posterior em 2022. Se as participações de artistas de rock marcam a capa, o álbum mantém uma base sólida no hip-hop graças a colaborações creditadas em faixas como Pass The Dutch, onde The Alchemist e Evidence se unem. A presença de produtores renomados no campo do rap lembra que Cypress Hill não abandonou suas raízes urbanas. A produção, majoritariamente realizada por B-Real, permite integrar esses convidados variados, mantendo uma coerência dinâmica, mesmo que a ausência de DJ Muggs na posição principal deixe uma marca indelével na textura sonora geral.
Ficha técnica
- Lançamento: 16 de abril de 2010 - Gravadora: Capitol Records, Priority Records - Faixas: 16 (1 hora e 02 minutos) - Abertura / Encerramento: It Ain't Nothin' / Rise Like Smoke - Participações especiais: Demrick, Tom Morello, The Alchemist, Evidence, Mike Shinoda, Daron Malakian, Everlast, Marc Anthony, Pitbull.
🎬 Os videoclipes do álbum
16 clips · reprodução contínua
Faixas
- 1
- 2
- 3Rise Upfeat. Tom Morello
- 4
- 5
- 6
- 7
- 8
- 9
- 10
- 11Take My Painfeat. Everlast
- 12
- 13
- 14Shut ’em Downfeat. Tom Morello
- 15Armada Latinafeat. Marc Anthony, Pitbull
- 16Dead Man’s Gunfeat. Demrick
🔥 Os temas que estão a bombar
Classificação Hip-Hop/R&B · semana de 12/10/2026
- 1Solar Eclipse— Drake & Don Toliver
- 2Quebec— Drake
- 3I Just Might— Bruno Mars
- 4Cold Shoulder— Drake, Don Toliver & Yebba
- 5Janice STFU— Drake
- 6Dead Fresh— Lil Baby
- 7Classic— Drake
- 8What You Need— Tems
- 9Cinderella— Mac Miller Featuring Ty Dolla $ign
- 10So Good— Jhene Aiko Featuring Kendrick Lamar


