
Kery James - R.A.P
O álbum "R.A.P de Kery James" começa com uma faixa homônima que estabelece imediatamente o cenário: não se trata de um retorno solo clássico, mas sim de uma antologia coletiva, onde a voz principal se integra a um coro diversificado. Lançado em 28 de novembro de 2025, através da gravadora 94 Side Publishing, este álbum de 15 faixas e 56 minutos marca uma ruptura clara com o álbum de estúdio "Mouhammad Alix" (2016), deixando para trás o período de transição marcado pelo álbum ao vivo "À mon public", publicado em 2017. O objetivo é claro: transformar um disco pessoal em um manifesto político denso, sem cair nos clichês do rap militante, uma ambição que se manifesta desde a primeira faixa através de uma narrativa intensa.
R.A.P e WU-TANG: a base histórica e o ponto central
A estrutura do álbum se baseia em dois pilares distintos, mas complementares: a homenagem à história do hip-hop e o engajamento social imediato. O título WU-TANG, que ocupa a 10ª posição na lista de faixas, não serve apenas como um título estilístico; ele ancla o projeto em uma cultura específica, criando um contraste marcante com os títulos políticos que o cercam. Essa faixa central atua como um ponto de referência temporal e temático, lembrando que o engajamento social de Kery James se baseia na tradição do rap histórico. Entre R.A.P na abertura e essa referência ao Wu-Tang no centro do álbum, o projeto constrói uma arquitetura onde o passado alimenta o presente, evitando que os temas políticos se tornem repetitivos ou vazios. A presença desse título confirma que o álbum não busca apenas denunciar, mas também se conectar com as raízes do gênero, oferecendo um contraponto necessário aos textos mais diretos, como LA FRANCE ou J'SUIS PAS CNEWS.
A FRANÇA e EU NÃO SOU CNEWS: o peso da retórica política
Embora a referência histórica seja fundamental, é nos títulos a seguir que se manifesta a tensão do projeto. As faixas LA FRANCE (com Wally B) são particularmente relevantes. A participação de Wally B em LA FRANCE, na posição 4, reforça significativamente a conexão com a cena urbana francesa; sua voz masculina traz uma textura crua que contrasta com os arranjos mais melódicos potenciais da faixa, validando a escolha de Kery James por um line-up eclético. Essa colaboração não é apenas um detalhe: ela transforma uma denúncia social em um ato coletivo, onde a figura do rapper engajado encontra eco na de outro artista urbano consagrado. O álbum não se limita a levantar questões, mas as personifica através dessas vozes que dão corpo aos conceitos abstratos.
Amanhã com Zaho: a continuidade de uma parceria artística
O ápice do coletivo chega já na terceira faixa, com DEMAIN, onde encontramos Zaho. Essa colaboração não é uma surpresa para o público experiente, pois prolonga uma relação já estabelecida desde 2008, na faixa « Je m'écris » do álbum À l'ombre du show business. Aqui, a voz de Zaho traz uma feminilidade confirmada e uma maturidade vocal que transformam completamente a dinâmica em comparação com uma interpretação solo. Ela não apenas adiciona uma camada sonora; ela introduz uma dimensão narrativa adicional, transformando a música em um diálogo entre duas gerações ou duas sensibilidades distintas, mas complementares. Essa continuidade artística demonstra que Kery James sabe construir pontes duradouras, em vez de buscar a novidade a qualquer custo, o que reforça a coerência geral do álbum.
COM "SE"... E QUEM SOMOS NÓS?: a expansão para a música em francês
A diversificação da seleção musical continua com as faixas AVEC DES SI... (com Camille Lellouche) na posição 8 e QUI ON EST ? (com Kareen Guiock). Ambas as músicas representam uma mudança de estilo, incorporando artistas da música francófona, ampliando assim o espectro sonoro além do rap puro. Camille Lellouche, em AVEC DES SI..., apresenta um timbre vocal diferente, que diversifica os gêneros presentes no álbum. Já Kareen Guiock, em QUI ON EST ?, adiciona uma dimensão narrativa ou emocional ao gênero pop-rap. Essas escolhas demonstram uma vontade de superar os códigos habituais do gênero, para alcançar públicos variados, sem sacrificar a força das letras. A presença de Boulaye_bls em RIEN N'A CHANGÉ (faixa 11) completa esse eclecticismo, trazendo outra cor ao projeto, confirmando que o álbum é um espaço de troca, e não apenas uma declaração individual.
NÃO CRESCES TANTAS VELOCEMENTE: um epílogo reflexivo
O álbum termina com uma nota introspectiva, com NE GRANDISSEZ PAS TROP VITE, a última faixa da lista. Essa música funciona como uma ponte entre o engajamento social das faixas anteriores e uma reflexão pessoal, oferecendo um encerramento que valida a ambição do álbum. Após abordar temas políticos, homenagens históricas e colaborações variadas, essa conclusão reflexiva permite que o projeto "respire" antes do fim. Ela lembra que, por trás do manifesto coletivo, sempre existe uma voz individual capaz de introspecção. A estrutura narrativa é, assim, fechada: começa com R.A.P, segue a história do hip-hop com WU-TANG, enfrenta os desafios políticos, explora as colaborações e termina com uma reflexão profunda que ressoa após o término da audição.
A lista de faixas confirma que este álbum se insere em uma continuidade discográfica marcada pela evolução do status de artista: após lançar seu último álbum de estúdio, Mouhammad Alix, em 2016, e um álbum ao vivo em 2017, Kery James retorna com uma proposta inédita. A presença de seis faixas com participação de outros artistas nas quinze faixas do álbum demonstra uma intenção explícita de ultrapassar os limites do rap solo e construir um verdadeiro coletivo. Essa estratégia se traduz em escolhas precisas de convidados, que ancoram o projeto na cena francófona atual: Wally B. Seck, em LA FRANCE, traz sua textura urbana crua, enquanto Fally Ipupa participa em 1 POUR LE SAVOIR, ampliando assim o horizonte geográfico e cultural do álbum além das fronteiras hexagonais. Essas colaborações não são meros aditivos sonoros, mas sim pilares estruturais que redefinem o lugar do rapper parisiense no cenário musical internacional. A estrutura do álbum, que se estende por 56 minutos e 34 segundos, permite uma exploração aprofundada de cada tema, sem sacrificar a qualidade narrativa. A sequência das faixas cria um fluxo onde os momentos de introspecção alternam com as intervenções coletivas, evitando qualquer monotonia na audição. A posição estratégica da faixa WU-TANG no centro do álbum serve como um ponto de conexão entre a homenagem às raízes históricas do hip-hop e o engajamento social imediato das faixas seguintes. A lista de faixas também revela uma ambição geográfica e cultural expandida, graças às colaborações com Boulaye_bls em RIEN N'A CHANGÉ (faixa 11) e Fally Ipupa em 1 POUR LE SAVOIR (faixa 13). Essas intervenções não se limitam a um simples enriquecimento sonoro, mas ancoram o projeto em uma cena francófona internacional, ultrapassando as fronteiras hexagonais para alcançar públicos diversos. A presença de Boulaye_bls confirma que o álbum foi concebido como um espaço de troca intercultural, enquanto Fally Ipupa amplia significativamente o horizonte do álbum, incorporando uma dimensão congolesa importante. Essas escolhas demonstram a intenção explícita de Kery James de transformar seu álbum de estúdio em uma verdadeira plataforma de diálogo entre artistas de diferentes origens e contextos geográficos, sem sacrificar a coerência dos textos. A sequência das faixas, que se estende por 56 minutos e 34 segundos, permite uma exploração aprofundada, onde o engajamento social imediato alterna com momentos de introspecção pessoal ou coletiva. A estrutura narrativa fechada, que começa com R.A.P e termina com a reflexão da última faixa, valida a ambição de Kery James de construir um manifesto denso e diversificado. Após abordar temas políticos, homenagens históricas ao Wu-Tang e explorar colaborações variadas, que vão da música francófona ao rap urbano internacional, essa conclusão reflexiva oferece um encerramento que confere peso ao conjunto. Com 15 faixas e uma duração total de 56 minutos e 34 segundos, ele oferece uma riqueza sonora rara no mercado atual, provando que é possível combinar engajamento político e diversidade artística sem cair em armadilhas de preenchimento. A presença de figuras importantes como Zaho, Wally B. Seck ou Camille Lellouche apenas reforça essa ambição, criando um universo onde cada voz contribui com algo único para o conjunto. É uma obra que marca uma etapa importante na trajetória de Kery James, confirmando sua capacidade de evoluir, mantendo-se fiel às suas raízes.
Ficha técnica
- Lançamento: 28 de novembro de 2025 - Gravadora: 94 Side Publishing - Número de faixas: 15 (56 minutos e 34 segundos) - Abertura / encerramento: R.A.P / NE GRANDISSEZ PAS TROP VITE - Convidados: Zaho, Wally B. Seck, Camille Lellouche, Kareen Guiock, Boulaye_bls, Fally Ipupa - Álbum anterior: À mon public (Live au Zénith de Paris le 18 décembre 2009) (2017)
🎬 Os videoclipes do álbum
14 clips · reprodução contínua
Faixas
- 1
- 2
- 3
- 4LA FRANCEfeat. Wally B. Seck, Wally Seck
- 5
- 6
- 7
- 8
- 9
- 10
- 11
- 12
- 13
- 14
- 15
🔥 Os temas que estão a bombar
Classificação Hip-Hop/R&B · semana de 12/10/2026
- 1Solar Eclipse— Drake & Don Toliver
- 2Quebec— Drake
- 3I Just Might— Bruno Mars
- 4Cold Shoulder— Drake, Don Toliver & Yebba
- 5Janice STFU— Drake
- 6Dead Fresh— Lil Baby
- 7Classic— Drake
- 8What You Need— Tems
- 9Cinderella— Mac Miller Featuring Ty Dolla $ign
- 10So Good— Jhene Aiko Featuring Kendrick Lamar



