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Lanz Khan - Jack Di Quadri
Chronique d'album

Lanz Khan - Jack Di Quadri

Nota da redação8,0/ 10
Por Le Stagiaire·

Jack Di Quadri oferece uma arquitetura musical onde a brevidade das faixas molda uma intensidade narrativa rara. Lanz Khan retorna às suas raízes após Collana di Perle (2021), abandonando a expansão discográfica para um formato concentrado de 38 minutos e 56 segundos. Essa economia não é uma restrição, mas uma escolha estratégica: cada interação vocal encontra sua plena expressão, transformando o álbum em uma sequência de câmaras de eco onde as colaborações não se somam, mas se entrelaçam na estrutura. A densidade das intervenções externas, com oito faixas das quatorze recebendo vozes diferentes, redefine a postura de Lanz Khan: ele deixa de ser um narrador solitário para se tornar um maestro que orquestra uma série de diálogos precisos.

Arquitetura minimalista e abertura no delta.

O álbum começa com Mekong Delta, uma faixa introdutória que estabelece o tom com uma notável economia de recursos. Esta faixa de abertura não apenas inicia a história; ela cria uma tensão geográfica e rítmica graças a Murubutu e DJ Skizo desde a primeira música. A presença deles funciona como uma âncora territorial, antes que o restante do álbum se desenvolva, sugerindo que a colaboração é o princípio fundamental desta nova era. Longe de ser uma simples coexistência de estilos, esta introdução em Mekong Delta estabelece uma relação de troca, onde cada voz contribui com sua cor específica à paleta sonora desde os primeiros momentos, desafiando a ideia de um disco construído em torno de um isolamento necessário.

A imersão colaborativa desde Mekong Delta com Murubutu e DJ Skizo.

Desde a primeira faixa, as contribuições de Murubutu e DJ Skizo em Mekong Delta criam uma textura densa que contrasta com a abordagem minimalista da duração total. Essa abertura colaborativa anuncia um disco onde as fronteiras entre os artistas principais se desvanecem, dando lugar a um universo coletivo. A primeira faixa não funciona como uma introdução convencional, mas sim como um convite imediato para compartilhar o espaço sonoro. É nessa faixa que Lanz Khan define seu novo método: aceitar que a faixa de abertura já seja o resultado de uma multiplicidade de vozes, transformando Mekong Delta em uma declaração onde a solidão é substituída por uma cumplicidade imediata entre os intérpretes.

Diálogo lírico entre En?gma e Jangy Leeon em Sparatoria All'Ermitage.

O disco ganha então um rumo complexo com a chegada de Sparatoria All'Ermitage, uma faixa que marca o retorno das colaborações passadas. Nesta terceira faixa, Lanz Khan reúne En?gma e Jangy Leeon, dois artistas cujos laços foram construídos ao longo de vários anos por meio de faixas anteriores, como Tinta Roja para o primeiro e Fiumi di porpora ou Street Louvre para o segundo. Essa combinação não é aleatória: ela reacende uma dinâmica já estabelecida, mas a insere em um novo contexto discográfico. A presença simultânea dessas duas vozes cria um diálogo lírico onde as referências a um passado comum se refletem na própria estrutura da música. En?gma e Jangy Leeon não estão ali para preencher espaços vazios, mas para atualizar uma história compartilhada que remonta a Luigi XVI (2015) e Collana di Perle (2021), conferindo a esta faixa uma profundidade temporal rara.

A fusão dos estilos com Axos, Nerone e Dj Double S

A dinâmica evolui em seguida com a faixa 4, Impressionismo, que introduz uma variação rítmica com a participação de Incis ZONE. Esta faixa, dedicada inteiramente a este convidado, demonstra como Lanz Khan utiliza as colaborações para criar contrastes marcantes dentro do álbum. A presença de Incis ZONE nesta posição central da lista de faixas permite manter a tensão narrativa estabelecida pelas faixas anteriores, ao mesmo tempo que introduz uma nova tonalidade vocal. É aqui que se pode observar o funcionamento do sistema de participações especiais: cada faixa com um convidado creditado traz uma especificidade que muda a dinâmica em relação às faixas solo, obrigando Lanz Khan a adaptar sua abordagem para se integrar a estas novas interações. Impressionismo serve, assim, como um ponto de transição entre a fase de abertura colaborativa e a sequência de participações, provando que a densidade de colaborações é uma escolha artística consciente e não uma simples acumulação de nomes.

Resolução íntima após a saturação colaborativa em Rosso Plastica.

Após esta longa fase de múltiplos diálogos, o disco termina com Rosso Plastica, a última faixa da lista, que oferece um retorno a uma textura mais íntima e solitária. Este encerramento marca uma resolução necessária após a intensa colaboração das faixas anteriores, permitindo que o álbum termine com uma nota que contrasta com a abertura coletiva. A duração total de 38 minutos e 56 segundos significa que este final chega rapidamente, sem deixar tempo para se alongar em um epílogo extenso, o que reforça o impacto desta resolução. Rosso Plastica serve como um ponto de ancoragem final, após percorrer todos esses caminhos compartilhados com Murubutu, DJ Skizo, En?gma, Jangy Leeon, Incis ZONE, Axos, Nerone e Dj Double S. Ela valida a ideia de que este disco é, acima de tudo, um projeto relacional, onde cada faixa é uma etapa de uma jornada comum. Em resumo, este álbum é um exemplo de como a brevidade das faixas amplifica a força das colaborações: Jack Di Quadri não é um disco que busca impor sua grandiosidade pela duração, mas pela precisão de suas interações. Lanz Khan valida aqui um método onde cada participação especial é uma peça adicionada a uma estrutura minimalista. As oito faixas com participações não são adições superficiais, mas elementos estruturais que redefinem o lugar do artista na cena musical atual. Entre Mekong Delta e Rosso Plastica, o álbum funciona como uma sequência de diálogos onde cada voz contribui com sua parte da verdade para a história geral. É um projeto que não se limita a apresentar faixas, mas que constrói uma narrativa coletiva onde a solidão é apenas uma pausa entre duas colaborações.

Ficha técnica

- Lançamento: 20 de junho de 2025 - Gravadora: Lanz Khan & Sick Budd - Faixas: 14 (38 minutos e 56 segundos) - Abertura / Encerramento: Mekong Delta / Rosso Plastica - Participações especiais: Murubutu, DJ Skizo, En?gma, Jangy Leeon, Incis ZONE, Axos, Nerone, Dj Double S, Truman Simbio, Lexotan, Dani Faiv - Álbum anterior: Collana di Perle (2024)

🎬 Os videoclipes do álbum

14 clips · reprodução contínua

Faixas

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🔥 Os temas que estão a bombar

Classificação Hip-Hop/R&B · semana de 12/10/2026

  1. 1Solar Eclipse— Drake & Don Toliver
  2. 2Quebec— Drake
  3. 3I Just Might— Bruno Mars
  4. 4Cold Shoulder— Drake, Don Toliver & Yebba
  5. 5Janice STFU— Drake
  6. 6Dead Fresh— Lil Baby
  7. 7Classic— Drake
  8. 8What You Need— Tems
  9. 9Cinderella— Mac Miller Featuring Ty Dolla $ign
  10. 10So Good— Jhene Aiko Featuring Kendrick Lamar

Crítica publicada em 18/10/2026 · Crónicas

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